quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Ônibus
Estava na fila esperando o ônibus que me levaria ao trabalho, chegou um senhor, cinquenta e poucos anos, falando sozinho. As pessoas em volta viram os olhos, riem. Eu também. Começo a prestar atenção nele e vi que ele fala muitas verdades. Um rapaz que estava ao meu lado, na frente desse senhor, também. Nos olhamos e concordamos, acenando com a cabeça. Começamos a interagir com o senhor.
Entramos no ônibus falando da crise econômica do país, do aumento da passagem, do presidente que divide nossas opiniões. O senhor mais velho começa a falar de escravidão, de guerras na Europa com a propriedade de quem leu e sabe de fato muito sobre tudo.
Aos poucos, o papo vai fluindo, o rapaz fala da mãe que está internada na UTI, da briga entre a vida e a morte.
Reconhecemos todos os três nossa fé, no mesmo Deus, que nos é apresentado de formas diferentes.
Tive uma das conversas mais profundas sobre fé, esperança e solidariedade. Sobre não julgar as pessoas, sobre humildade e respeito.
Foram vinte e cinco minutos numa presença intrigante e forte de Deus. Nunca mais vou ver essas pessoas, mas aprendi que, de fato, não se pode julgar ninguém e que as aparências enganam.
Tirar o fone, dar ouvidos, isso fez a diferença no meu dia e no dia daquelas pessoas que eu nunca mais vou ver e não sei nem o nome.
Jesus se manifesta através das pessoas e geralmente daquelas que menos esperamos.
Nos despedimos, cada um seguindo seu rumo. Sucesso, bom ano e que Deus nos abençoe. Quase não contive a emoção.
Próxima parada...
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