quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ônibus

Estava na fila esperando o ônibus que me levaria ao trabalho, chegou um senhor, cinquenta e poucos anos, falando sozinho. As pessoas em volta viram os olhos, riem. Eu também. Começo a prestar atenção nele e vi que ele fala muitas verdades. Um rapaz que estava ao meu lado, na frente desse senhor, também. Nos olhamos e concordamos, acenando com a cabeça. Começamos a interagir com o senhor. Entramos no ônibus falando da crise econômica do país, do aumento da passagem, do presidente que divide nossas opiniões. O senhor mais velho começa a falar de escravidão, de guerras na Europa com a propriedade de quem leu e sabe de fato muito sobre tudo. Aos poucos, o papo vai fluindo, o rapaz fala da mãe que está internada na UTI, da briga entre a vida e a morte. Reconhecemos todos os três nossa fé, no mesmo Deus, que nos é apresentado de formas diferentes. Tive uma das conversas mais profundas sobre fé, esperança e solidariedade. Sobre não julgar as pessoas, sobre humildade e respeito. Foram vinte e cinco minutos numa presença intrigante e forte de Deus. Nunca mais vou ver essas pessoas, mas aprendi que, de fato, não se pode julgar ninguém e que as aparências enganam. Tirar o fone, dar ouvidos, isso fez a diferença no meu dia e no dia daquelas pessoas que eu nunca mais vou ver e não sei nem o nome. Jesus se manifesta através das pessoas e geralmente daquelas que menos esperamos. Nos despedimos, cada um seguindo seu rumo. Sucesso, bom ano e que Deus nos abençoe. Quase não contive a emoção. Próxima parada...

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

sobre madrugadas insones, café e outras drogas.

com frequência venho me sentindo à beira de um colapso. corpo não responde exatamente como deveria. por vezes, sinto que não tenho mais controle sobre mim. há uma forte desconexão entre meu corpo e minha mente. ou talvez, uma conexão forte demais, que, por trabalharem, corpo e mente, em frequências diferentes, gera em mim essa sensação. será que a solução é química? será que a solução é espiritual? há solução? cafeína me mantém em pé durante o dia, mas não traz a alegria e a vontade de viver. já pensei em voltar ao psiquiatra, já pensei em beber para dormir e fumar maconha para relaxar. contudo, são refúgios efêmeros de uma angústia profunda e incessante. aprender a conviver? eu nunca fui de me conformar com a insatisfação, apesar da sua constância. eu não vou me entregar, só preciso me encontrar. uma hora vai passar...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Tristeza não tem fim, felicidade sim.

A efemeridade é o que faz com que a paz interior seja tão bem aproveitada e valorizada quando a encontramos. Se há sentimento mais desejado pelos seres humanos, eu desconheço. De certa forma, tudo o que fazemos é visando o preenchimento, ainda que momentâneo, do eterno vazio de existir. Nem sempre nos damos conta disso, mas em uma análise profunda e densa, é muito mais simples do que as inúmeras atitudes desesperadamente nominadas. O mundo do caos da instantaneidade gera esse sentimento generalizado de insatisfação e ansiedade por mais. Mais informação, mais prazer, mais dinheiro, mais ilusões. Não me conformo com a imposição de aceitar passivamente a simples convivência com esse vazio. Nessa ânsia da completude, forte ao ponto de desnortear e direcionar a caminhos que, sabidamente, não levarão a alcançá-la, é que as escolhas revelam, aos poucos, traços importantes de personalidade e caráter. Há quem busque desenvolvimento espiritual, refúgio químico, lícito ou não, sucesso profissional ou relações interpessoais em níveis extremos. O ponto é que, bizarramente, os clichês fazem sentido. Só reconhecemos e valorizamos esses relances de calmaria por conviver intensa e majoritariamente com o oposto.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

É difícil traduzir sentimentos em palavras.

Não me recordo se já iniciei um ano tão bem, tão confiante, tão em paz. Em 2016 passei por um processo profundo, complexo e surpreendente de autoconhecimento. - fato curioso foi ter passado por esse ano peculiar sem ter feito postagens aqui -. Me entender, me ver, me aceitar e me amar pelo que eu realmente sou e não pelo que eu tenho ou pelo que esperam de mim. Essa nudez interior é, num primeiro momento, assustadora. Abertura integral e exposição para uma análise sincera exige coragem. Mas, conforme se avança (e se amadurece), liberdade e desprendimento irrompem, seguidos de paz e tranquilidade. Entendo que é questão de organização, de prioridades, de maturidade. É a segurança e certeza de seguir no caminho correto, porém não chega a ser autoconfiança. São bons pressentimentos aliados a uma força de vontade que eu não sei dizer exatamente a origem. A ordem "tome posse" foi intensa e constante e, aparentemente, o fiz. Novos começos são sempre bons. Novas chances, novas oportunidades.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ah, se você descobrisse...

Nada afoga mais que sentimento guardado. Engasga, a gente engole e dá azia. Queima, arde, dói e as vezes dá um refluxo tão forte que parece que você vai vomitar tudo aquilo. Tem coisa que a gente não conta nem pro travesseiro: por vergonha, por medo e porque não. Só que chega um ponto que as coisas precisam sair, antes que sufoque a ponto de matar. Por isso escrever é libertador. É soltar pelos dedos o que falta coragem de deixar fluir pela boca. O problema, contudo, está justamente em não saber o que se sente e não poder soltar tudo isso de vez. É um misto de tanta coisa que nem sei. A parte boa é ver gente perto que não desistiu, pelo contrário, tomou as rédeas da própria vida e foi ser feliz sem se preocupar com os outros. Falta essa coragem, mas não é só isso. A reciprocidade é fundamental antes de uma atitude desse porte. Tanta coisa me confunde, me apavora, me prende. Não quero mais viver assim. Obrigada vocês que se impulsionaram rumo à felicidade, quem sabe um dia eu chego lá também. Fica o dito pelo não dito, o falar sem dizer. Mas assim já alivia por enquanto o que eu sei até agora.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

"um dia sei que voltarei pra ver o Sol se por e ainda vou sentir saudades..."

O facebook está com essa ferramenta que mostra suas postagens antigas de mesma data. Hoje eu vi que faz 5 anos que eu voltei de Amsterdam. Isso me virou os sentimentos de uma forma que eu não consigo explicar o que estou sentindo. Me dei conta do quanto as coisas mudam e de quanto certas coisas nunca mudam e, pelo visto, nunca irão mudar. Vi que tem acontecimentos que parecem o fim do mundo naquele momento (e, de certa forma, o são), mas que em 5 anos eles não importam mais e, melhor que isso, a maioria das pessoas nem sequer lembra. De certa forma, se eu de hoje pudesse conversar comigo de 18 anos, certamente diria: CUIDADO! REPENSE! OLHA A IMPRUDÊNCIA, A IRRESPONSABILIDADE, VOCÊ VAI SE ARREPENDER! E, com mais certeza ainda, o eu adolescente responderia: CALA A BOCA, RELAXA! SE EU NÃO FIZER ESSAS COISAS AGORA, O QUE TE GARANTE QUE VOCÊ VAI ESTAR EXATAMENTE ONDE ESTÁ AÍ NO FUTURO? Nada é por acaso, nada dura pra sempre. A vida tem dessas e, por mais clichê que seja, é a mais pura verdade... Não dá pra se arrepender do passado, sem ele, quem sabe, você não estaria onde está hoje. E se não tá satisfeito com o HOJE, a hora é agora. Mude, pule, aproveita. Quem sabe o que o futuro reserva?

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ponto final

Porque o banho-maria ou queima ou desliga. E é assim que as coisas têm que ser na nossa vida. Volta tudo aquilo que eu já falei sobre dormir arrependido ou acordar sem ter feito. Mas as coisas precisam ser encerradas, resolvidas. Esse chove-não-molha, em cima do muro, coisa mal resolvida só prende, acorrenta, atrasa. As páginas precisam de um ponto final e as coisas de solução. Ou você se apaixona e se entrega ou desencanta e desapega. Seja qual for a resposta, é necessário chegar até ela. Hoje vou dormir arrependida (que já concluí ser a única opção), porém super bem resolvida. E garanto que a dúvida jamais é travesseiro mais confortável que o arrependimento.